Uma campainha sem auto-estima




            Nasceu assim e nunca mudaria. Em cada toque seu, quase musical, perdia o fôlego. Retomava-o um pouco depois, como se pedisse desculpa. Sentia-se, incrivelmente, intermitente e sofria.
          Como admirava essas campainhas enérgicas, sonantes, que nunca se calavam e a quem todos obedeciam. Certo dia, desprendeu-se  um parafuso do seu corpo bojudo e desatou a tocar, sem parar.  Estafada de tanto esforço, chorava pedindo que a desligassem. Foi chamado, de urgência, um electricista  que a consertou. Alegre ,como nunca tinha sido, ia repetindo a toda a hora: "Como é bom voltar a ser como dantes !"

                                                                                                               I.F.







      




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