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A mostrar mensagens de novembro, 2017

Memórias

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Nas horas em que o sol se ia deitar E adormecia na linha do horizonte Soava ao longe um sino a repicar E um cheiro a seivas subia pelo monte. E a minha alma dispersa pelo ar Ia escutando feliz o doce hino Eu colhia pelos campos o luar Na minha mão pequena de menino. E como era feliz essa viagem Com meu avô atrás a acompanhar O sol ia dormindo na paisagem Com as estrelas aos poucos a acordar. Lá íamos os dois sempre subindo Até onde o céu já não tem fim. Os pirilampos voavam indo e vindo Como esta infância que ficou em mim. I.F.                    

Ironia

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Picasso Quanto tempo eu gastei à procura nem eu sei de um eterno amor-perfeito. Quanta ansiedade escondida quanta perda desmedida escondida no meu peito. Mas por cruel ironia fosse o fado que previa ou o quis o Criador. Meu coração traiçoeiro só suspira o dia inteiro pelo teu imperfeito amor.                                I.F.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Sophia de Mello Breyner Andresen  ,transformava o seu mundo interior numa música de palavras. Na poesia, sabia  transmitir-nos toda a riqueza do seu ser, único, tal como nos demonstra o poema "Mar Sonoro". Mar Sonoro Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho. Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim. O nosso cérebro gera a sua própria realidade, antes mesmo de receber as informações provenientes dos sentidos. A nossa realidade é, em última análise, construída numa estranha língua de sinais electroquímicos. Cada cérebro transporta a sua própria narrativa da realidade, com base no seu modelo interno construído a partir das experiências anteriores. Retirado do Livro" O cérebro" de David Eagleman, Editora lua de papel

Fiama Hasse Pais Brandão

                                             Es critora , poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa, nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1938 e morre em Lisboa em19 de Janeiro de 2007 . A sua infância foi passada entre uma quinta em Carcavelos e o St. Julian's School. Foi estudante de Filologia Germânica na  Faculdade de Letras  da  Universidade de Lisboa , tendo sido um dos fundadores do  Grupo de Teatro de Letras . Foi casada com  Gastão Cruz . A sua obra caracteriza-se por uma grande intensidade da palavra, uso de uma poesia discursiva por vezes fragmentária. Participante do movimento poesia 61 revolucionou  a linguagem poética portuguesa dos anos 60 . A sua poesia revela, frequentemente, imagens construídas a partir da natureza e impõe-se pela busca de uma expressão original, onde as palavras tentam evocar uma ...

Gracias a la vida ,Violeta Parra

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GRACIAS A LA VIDA Violeta Parra Graças à vida, que me deu tanto. Me deu dois olhos que,   quando os abro, Distingo perfeitamente o preto do branco, E no alto céu, seu fundo estrelado, E nas multidões o homem que eu amo. Graças à vida, que me deu tanto. me deu o ouvido que, em todo o seu alcance grava noite e dia:  grilos e canários, martelos, turbinas, tijolos, tempestades e a voz tão terna do meu bem amado. Graças à vida, que me deu tanto. Me deu o som e o alfabeto,  com ele as palavras que eu penso e declaro: mãe, amigo, irmão e luz iluminando o caminho  da alma de quem estou amando. Graças à vida, que me deu tanto. Me deu a marcha dos meus pés cansados: com eles andei nas  cidades e charcos, praias e desertos, montanhas e planícies, e na tua casa, tua rua e teu pátio. Graças à vida, que me deu tanto. Me deu o coração, que agita seu bordo quando olho o fruto do...

Poema para a minha mãe

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Sei que mudei na moldura do retrato E fui com as aves, mãe . Mas para nós as aves retornam e eu volto com elas. Espreito por detrás do tempo que se foi e visto as suas vestes transmutáveis. Só para ti, mãe. E no meu olhar, como uma alvorada desponta a alegre imagem da infância quando estás por perto. O tempo muda as imagens retidas no retrato e agarra-nos nas suas teias invisíveis e nem tu nem eu somos as mesmas, mãe. Mas todas as horas que  passamos enlaçam-nos num abraço sem fim... E a minha mão e a tua encontram-se Para além do tempo.                                                   I.F.

David Eagleman-"O Cérebro"

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Sobre o autor  David Eagleman  (nascido em 25 de abril de 1971) é um  neurocientista  americano, autor e comunicador científico.   Ensina como professor adjunto na  Universidade de Stanford  e é CEO da  NeoSensory  , uma empresa que desenvolve dispositivos para substituição sensorial.    Também dirige o  Centro para Ciência e Direito  , sem fins lucrativos, que procura alinhar o sistema jurídico à neurociência moderna .   Ele é conhecido por seu trabalho sobre  plasticidade  cerebral  ,  percepção do tempo  ,  sinestesia   e  neurolaw   .  Ele é  um dos autores  mais vendidos do  New York Times ,   publicado em 32 idiomas.   Ele é o escritor e apresentador da série de televisão internacional indicada ao Emmy,  The Brain In "WIKIPEDIA" Citação preferida "Se  conseguíssemos ter a percepção da realidad...

Et si tu n' existais pas,Joe Dassin

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Et si tu n'existais pas - Piano Solo Et Si Tu N'existais Pas Et si tu n'existais pas Dis-moi pourquoi j'existerais Pour traîner dans un monde sans toi Sans espoir et sans regret Et si tu n'existais pas J'essaierais d'inventer l'amour Comme un peintre qui voit sous ses doigts Naître les couleurs du jour Et qui n'en revient pas Et si tu n'existais pas Dis-moi pour qui j'existerais Des passantes endormies dans mes bras Que je n'aimerais jamais Et si tu n'existais pas Je ne serais qu'un point de plus Dans ce monde qui vient et qui va Je me sentirais perdu J'aurais besoin de toi Et si tu n'existais pas Dis-moi comment j'existerais Je pourrais faire semblant d'être moi Mais je ne serais pas vrais Et si tu n'existais pas Je crois que je l'aurais trouvé Le secret de la vie, le pourquoi Simplement pour te créer Et pour te regarder Et si tu...

A ilha (Fausto)

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A Ilha    Olhamos tudo em silêncio na linha da praia De olhos na noite suspensos do céu que desmaia; Ai lua nova de Outubro, trazes as chuvas e ventos, A alma a segredar, a boca a murmurar tormentos! Descem de nuvens de assombro taínhas e bagres Se as aves embalam os peixes em certos milagres; Levita-se o corpo da alma, no choro das ladainhas, Na reza dos condenados, nas pragas dos sitiados, Na ilha dos ladrões, quem sai? E leva este recado ao cais: São penas, são sinais. Adeus. Livra-me da fome que me consome, deste frio; Livra-me do mal desse animal que é este cio; Livra-me do fado e se puderes abençoado Leva-me a mim a voar pelo ar! Como se houvesse um encanto, uma estranha magia, O sol lentamente flutua nas margens do dia. Despe o meu corpo corsário, seca-me a veia maruja, Morde-me o peito aos ais, das brigas, dos punhais, Da ilha dos ladrões, quem sai? E leva este recado ao cais: São penas, são sinais. Adeus. ...

Noite fria

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                                                      A noite suspirava no silêncio da cidade adormecida. Num canto, o pobre cão se aninhou partilhando, o mesmo espaço com um mendigo. Duas almas, solitárias, encontravam-se nas ruas, quase desertas. Mundos diferentes, mas afinal tão iguais, juntavam-nos no mesmo abandono, na mesmo faminta necessidade de afecto. Os olhares encontraram-se e compreenderam-se. O velho andrajoso fez-lhe um afago. Frias, como o frio da noite, suas almas aqueceram nesse gesto .                                                                                     ...

Afonso Cruz-"Uma dor tão desigual"

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             Sobre o autor  Afonso Cruz  (Figueira da Foz,1971) é um escritor,realizador de filmes d animação,ilustrador e músico português. Estudou na   Escola Secundária Artística António Arroio , nas Belas Artes de Lisboa e no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Vive num monte alentejano perto de Casa Branca, no concelho de Sousel. Publicou mais de trinta livros, entre romances, conto, ensaio, poesia, teatro, não-ficção, e ilustrou outros tantos. Estreou-se no romance em 2008, e publica – em cadência anual – uma colecção difícil de classificar, intitulada Enciclopédia da Estória Universal (que tem, até à data, sete volumes publicados). Foi distinguido com diversos prémios, entre os quais, o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, o Prémio Literário Maria Rosa Colaço  o prémio Autores SPA/RTP, o Prémio da União Europeia para a Literatura com o livro...