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A mostrar mensagens de 2019

Amor ao Tejo

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                                                           (Para que esta beleza, visível em alguns locais do percurso do rio Tejo, se conserve   e não desapareça devido à estupidez e ganância humana). Tejo que passas de águas transbordantes   apressadas   como   cobras prateadas.   Sinto a tua respiração sincronizada   no ritmo das marés . E ao ver-te, lavo-me de mágoas,   vagueando pelas tuas margens de sombras ondulantes   abraçando a terra.   E   os   sonhos, que não dormem mais,   vivem   nos teus segredos que vêm de longe   apontando a imensidão do mar.  E todo tu és vida borbulhante: plantas mirando-se no teu espelho verde;   insectos zunindo nos canaviais;   pássaros sobrevoando   as tuas   águas ; ...

Sentindo o Amor

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Passa, de manso, sem passares inquieto, passo antepasso, que ao passares amor   meu coração, no teu passar incerto   pode quebrar batendo ao teu rumor.   Mas se ao passares nesse passar só certo   de quem na vida já muito passou,   a ti ofereço o coração liberto   da dor passada que o amor sarou.   E se passando não encontrares por fim,   rosas florindo ao sol do meu jardim passa, de manso, e não te detenhas.   Se as passageiras rosas já secaram,   ou eu passei com as rosas que passaram,   ou então deixei de esperar que venhas.                                                                ...

Quadras de pássaro

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Se para ti a vida  é um duro fazer  e nada é mais sério  que esse viver, Repara eu sou pássaro  e vivo no vento,  em tudo  sou ar  como o pensamento . Do mundo em que vivo decerto não sabes,  eu vivo nos sótãos tu vives nas caves.  Se construo sonhos  tu queres realidades,  e tudo o que digo para ti, veleidades.  Por favor, não venhas  com prisões ou grades,   sou filha do vento, sou irmã das aves.                                           I.F.

Algarve "A chegada"

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  Apesar do termo”algarve” significar em árabe  “ocidente”, para mim,  “algarve” significava  sempre rumar ao sul. Como ave migratória, todos os Verões ,quando o calor do Estio crepitava nas suas terras rubras e o cheiro a tojo, a estevas  e a rosmaninho se espalhava pela serra, eu regressava a esse lugar tão único. E, nesse  Barrocal estendido entre o monte  e o oceano, sentia uma primeira sensação contraditória,  mista de clausura e imensidão.   O aparente silêncio dessa terra e a impressão de paragem no tempo ,como se  tudo ali se tivesse aquietado, paralisava-me,a mim, nascida e criada na urbe,no ruído, na correria, nas compras,  enfim, nos chamados benefícios da civilização. Depois, estendia os olhos para aquela paisagem de uma tranquilidade quase feliz e respirava fundo, bebendo aquele ar tão puro e transparente, que me quebrava durante os primeiros dias e depois me redobrava as forças para o resto do a...

O poder da poesia

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"A poesia tem a capacidade de enviar poderosas mensagens emocionais e activar a reflexão, ainda que seja certo dizer que o maior prazer que sentimos ao ler um poema, como quando desfrutamos de uma obra de arte, não provém de uma reflexão profunda, mas de um crescendo emocional  de sensações que nós experimentamos a ctivando  partes do cérebro usualmente desactivadas." Livro" O cérebro" de David Eagleman,Editora  lua de papel                                                                                              

Mário de Carvalho-"Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde"

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Sobre o autor  Escritor e advogado português,  Mário   Carvalho  nasceu em Lisboa, em Setembro de 1944. Enquanto estudante universitário acompanhou de perto a movimentação académica de 1962, participando de forma activa em vários movimentos estudantis contra o Salazarismo,  . Tem praticado diversos géneros literários – romance, novela, conto, ensaio e teatro. A sua escrita é extremamente versátil e é impossível incluí-lo em qualquer escola ou corrente literária Citação preferida “Brilha o céu, tarde a noite, o tempo é lerdo, a vida baça, o gesto flácido. Debaixo de sombras  irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer. Não consigo comprazer-me desta mediocridade dourada, pese o convite e o consolo do poeta que a acolheu. Também a mim, como ao orador amarga o ócio, quanto o negócio foi proibido. Os dias arrastam-se, Marco Aurélio viveu, Cómodo impera, passei o que pas...

Nunca

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Não digas nunca, meu amor. Nunca é palavra que perdeu a alma! Nunca é palavra que não tem coração! Não a digas de forma remoída clamando reticências, asas abertas como milhafre. Não a digas separada por vírgulas, repetida até ao infinito. Não   a digas abrupta, com ponto final, num grito sumindo no espaço escuro. Na vida o talvez matou o nunca num céu de alma tecendo   tempestades. Nunca só existe na morte e nela tudo é silêncio.                                            I.F.

Um lindo sonho

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                                                            Um lindo sonho          me visitou          em borboleta           se transformou.          Pairou no ar           a mariposa          doce, levinha,           em tons de rosa.        Quis agarrá-la         mas não deixou         da minha mão         se escapou.          Lindo esse sonho          queria alcançar           o arco-íris         para além do mar.          As...

Três beijos,uma vida

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O primeiro beijo que me deste  estava no teu colo, mãe,  o meu mundo eram os teus braços e tudo era feliz.  O segundo foi quando me perdi,  e me ensinaste que o fim de um caminho era sempre o começo de outro.  O terceiro beijo nunca mo deste,  porque partiste.  Muitas vezes passei imaginando esse adorado terceiro beijo.  De tanto o sentir,  se transformou num belo anjo luminoso  e habita, agora, no fundo dos meus olhos.                                                                                                    I.F.

Três meninas e um estendal

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Embora o sol brilhasse tinham muito que esperar que a roupa toda secasse e assim foram passear. Depois de bem arreadas foram para a feira enfeirar, procurando quem valesse a pena para namorar. Mas só viram homem velho que tem muito de cuidar, homem novo jogador que não sabe trabalhar. E logo ao longe se ouviu o toque do acordeão, que nos torna bem melhores e anima o coração. E todas as três vieram desejando     escutar, fizeram uma rodinha e quedaram a cantar. Tão embaladas ficaram que nem sentiram chover e quando as pingas molharam logo foram a correr. O vento uivava, gemia e as meninas apressadas bailaram na ventania, com as roupas ensopadas.                                            ...

Arrábida

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www.visitportugal.com      Deus pôs-te, ó Serra, entre o anil dos céus e o azul do mar imenso.         Em ti, meus olhos navegam em direcção ao sul       e o aderno e o carrasco semeiam sonhos mediterrânicos, na vastidão dos tempos.            Em ti, habitam escuridões da rocha onde os morcegos se acolhem      e as escarpas lutam contra a gravidade, furando o mar.                Há homens que oram, desde sempre, no rumor dos teus ventos         e no silêncio das tuas   tardes amenas com sede de   infinito.               Em ti, abrem-se feridas por curar e lágrimas de pedra e poeira,        libertadas pelo teu corpo denso.            Como aceitar tal vil...

Nunca devemos

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Nunca devemos voltar aos locais onde o rio do tempo nos levou, nas suas águas perdidas, as mágoas, as alegrias, as paixões ,as raivas, os vários desejos e tudo o que nasceu e logo sufocou. Com ele, foram também muitos dos que se cruzaram no nosso caminho, que amamos ou nos amaram ou simplesmente nos foram indiferentes. Mas a memória, sim, a memória, essa velha traiçoeira, agarra-nos nas suas garras, nas suas queixas, envolve-nos nas suas ilusões e sem querermos voltamos a esse tempo passado, sabendo que já nada existe como era e até nós, apenas somos pedaços do que fomos.  Por isso, porque ninguém se pode banhar nas águas do mesmo rio, devemos pegar no barco da nossa vida, erguer as velas e partir buscando novas paisagens.. E, aquilo que pensávamos nunca mais viver,   poderá revestir novas roupagens e fazer-nos de novo sorrir.                                       ...

Les moulins de mon coeur - Michel Legrand

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"As Turbinas do meu coração"  é uma canção composta pelo músico francês  Michel Legrand  .   As letras, em inglês, foram escritas por Alan e Marilyn Bergman, enquanto as letras em francês foram compostas por Eddy Marnay ("Les moulins de mon coeur"). A canção foi originalmente gravada em inglês pelo cantor britânico Noel Harrison, em 1968, e incluída no filme  The Thomas Crown Affair  , do mesmo ano, dirigido por  Norman Jewison  .   As duas primeiras linhas melódicas foram tiradas do segundo movimento da  Si nfonia para Violino, Viola e Orquestra  de  Mozart .   A música ficou em 8º lugar no  UKSingles Chart, e recebeu o  Oscar pela melhor música original  de 1968. Comme une pierre que l'on jette Dans l'eau vive d'un ruisseau Et qui laisse derrière elle Des milliers de ronds dans l'eau Comme un manège de lune Avec ses chevaux d'étoiles Comme un anneau de Saturne U...