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A mostrar mensagens de agosto, 2018

Dia que passa

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Dia que nasce ,dia de Abril, dia que passa, dia em que observo a rua que se estende até desaparecer na fina poeira da neblina. Nele tudo se agita como uma grande serpente multicolor: gente apressada, automóveis, animais ,portas que se abrem e que se fecham.   Os extremos da rua comidos pela neblina lembram as cortinas de um palco, em que as personagens aparecem e desaparecem impelidas por motivos   que nos são desconhecidos.   A minha vida é ,também. uma estranha rua que percorro e mesmo cansada das longas   estradas, vou galgando os caminhos pedregosos que se estendem entre o passado e o futuro.    Em mim, sempre , um paradoxo. Esse louco paradoxo que norteia a minha vida. Sou a desequilibrada   malabarista :caminho   entre dois opostos que me chamam.   No abrigo da casa procuro a segurança mas nos seus quartos sufoco . É no vento que me arrasta na vertigem dos precipícios, no jogo da sorte ,que encontro a verdadeira liber...

Amor

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                                                                   Amor Nada mais havia a fazer , quando o amor lançou seus braços perturbantes nascendo da dor a alegria. Nele tudo frutificou: das nossas vidas nasceram outras vidas, cadeias de afectos. Se tivéssemos evitado ouvir seus misteriosos apelos, nada seria igual. Agora restava saber a razão da nossa presença nesta cadeia de acasos, perdida na irrecuperável voragem do tempo. Todos intuímos haver uma razão e buscamos a chave, da mais escondida das portas, guardada em cada um de nós.                                                                       ...

Revista LER, Bruno Vieira Amaral

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"Cada homem condensa   em si   toda a história do mundo. Escolham o padre que coligiu as vítimas do terramoto de 1755, um desses relojoeiros a quem se deve a glória anónima dos helvéticos, um humilde   tendeiro dos lugares da Mancha calcorreados pelo Quixote, e,   se lhes dedicarem o tempo suficiente, encontrarão neles, nos seus antepassados e na sua descendência, vividos, lidos ou imaginados, as invasões napoleónicas, o 4 de Julho de 1776, o sangue da comuna de Paris, os saques dos piratas dos mares da China, a memória de todos os fogos de Sodoma e Gomorra , da Roma de Nero, daqueles que numa noite infame destruiu o Reichstag, do outro que numa madrugada silenciosa arrasou Chiado." Revista LER, Bruno Vieira Amaral, Pg.65