Dia que passa
Dia que nasce ,dia de Abril, dia que passa, dia em que observo a rua que se estende até desaparecer na fina poeira da neblina. Nele tudo se agita como uma grande serpente multicolor: gente apressada, automóveis, animais ,portas que se abrem e que se fecham. Os extremos da rua comidos pela neblina lembram as cortinas de um palco, em que as personagens aparecem e desaparecem impelidas por motivos que nos são desconhecidos. A minha vida é ,também. uma estranha rua que percorro e mesmo cansada das longas estradas, vou galgando os caminhos pedregosos que se estendem entre o passado e o futuro. Em mim, sempre , um paradoxo. Esse louco paradoxo que norteia a minha vida. Sou a desequilibrada malabarista :caminho entre dois opostos que me chamam. No abrigo da casa procuro a segurança mas nos seus quartos sufoco . É no vento que me arrasta na vertigem dos precipícios, no jogo da sorte ,que encontro a verdadeira liber...