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A mostrar mensagens de outubro, 2017

Rosa reciclada

Num monte de desperdícios posto de parte no chão, calhou passar um artista procurando inspiração. Um pedaço ali pegou na concha da sua mão e fez como obra acabada uma rosa em botão. Criada  do  que não presta e por outros rejeitado, tornou-se  beleza o feio,   no seu corpo renovado. Ao artista pareceu escutar  a sua voz silenciosa dizendo "aqui me apresento a vós!" No seu coração sentiu qualquer coisa de risonho,  uma forma da alegria ou  uma  espécie de sonho. Não era  pelo material nem era pela riqueza, essa forma vegetal primava pela singeleza. Sentiu que ela guardava uma ideia preciosa, de que afinal é possível fazer do lixo uma rosa.                                         I.F.

Daniel Pennac-"Como um Romance"

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Sobre o Autor Daniel Pennac nasceu em Casablanca, em 1944, e é hoje considerado um dos mais importantes e populares autores da literatura francesa. Os seus romances sobre a família Malaussène granjearam-lhe um enorme sucesso internacional, que conheceu também com  Como Um Romance , um ensaio sobre a leitura que se transformou num livro de culto. Mágoas da Escola  obteve o Prémio Renaudot em 2007, depois de ter estado mais de 50 semanas nos tops de vendas franceses. Traduzido em 24 países, vendeu, só em França, mais de 800 mil exemplares. Em 2008, Daniel Pennac obteve, pelo conjunto da sua obra, o Prémio Metropolis Bleu, anteriormente atribuído a escritores como Margaret Atwood, Carlos Fuentes, Paul Auster ou Norman Mailer. Citação preferida "Tudo bem, mas a que parte do atarefado dia podemos ir buscar essa hora de leitura diária ?   Como ter tempo para ler? O tempo de ler é sempre um tempo roubado: tempo roubado ao dever de viver (aliás como o tem...

Um momento de riso

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Ah! Ah! Ah!……riu  a lua. O luar desceu na noite e lambeu a face da terra alimentando-se das sombras das coisas. Os meninos espreitaram e desenharam a lua nos vidros embaciados das janelas fechadas. No desenho, a lua ficou com uma grande cabeça e um corpo pequenino. Na cara da lua, uma grande boca ria exibindo os dentes . O luar mostrou-lhes os bichos que cantavam na noite ;os morcegos que voavam à volta dos candeeiros ; os caracóis que atravessavam as estradas molhadas e as cigarras que cantavam por detrás das pedras. Os meninos encantados riram fazendo coro com a lua e todos os bichos da noite riram com eles.                                                                                                       ...

Se fecharmos os olhos…

#colour#sunshine #paper53#revelation Uma publicação partilhada por IsaSousa (@isasousa51) a Out 24, 2017 às 9:07 PDT                   Quando os quentes raios da vida que nos iluminam e aquecem, por vezes, somos amortecidos por tempos de  infortúnio .Como a argila moldada pelo finíssimo esculpir do tempo vamos-nos transformando ao longo da nossa existência e  gravando na alma e no corpo os nossos bons e maus momentos. Mas se fecharmos os olhos e resistirmos aos ruídos do  presente  poderemos lentamente calar as vozes e deixar que nos envolvam novamente os odores da infância, como num sonho. E esse tempo, no qual fomos incrivelmente felizes voltará e acenderá outra vez as luzes dos caminhos, das casas, das pessoas e dos seres do lugar onde crescemos. De novo reencontraremos, o olhar carinhoso da nossa mãe ou a casa dos avós que nos parecia iluminada nos dias de Natal ou uma v...

Os homens são rios iludidos

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                                                                                  Na contínua rotação das noites esperam futuros por acontecer. Os homens são rios iludidos querendo ser lagos, retém as  correntes esquecendo  que são rios e passam. Difícil soltarem águas, perderem o medo, cavalgarem leitos , saltarem escombros caindo  em liberdade como cascatas . Nesta retida condição muitas vezes , quando acordam, são quase mar.                               I.F.

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira Natural de Recife – Pernambuco, nasceu em Abril de 1886 e faleceu em 13 de Outubro de 1968, no Rio de Janeiro. Ele integra os artistas que participaram na  consolidação da literatura  moderna em todo o Brasil. Os temas mais comuns retratados pelas obras do autor eram: sagacidade em viver a vida, amor, solidão, morte, fatos do quotidiano, erotismo, angústia e infância. Evocação do Recife Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras mexericos namoros risadas A gente ...

Porque será?

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Porque será que vendo a natureza, mesmo sem sol ou sob a luz do luar, ela me oferece cambiantes de beleza, cintilações, folhas de húmida seda, cheiros de terra, a brisa a sussurrar. Cores em paleta aberta ao meu redor ou essa cor sem cor que a noite tece que se revela em mim como se desse, humildemente, uma lição de amor.