Anestesia



















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Tapamos o coração.
com um penso rápido, asséptico.
Colocamos um capacete anti- ideias,
se possível, hermético.
Compramos a paz numas drageias
Existe ácido correndo pelas ruas:
forramo-nos com um anti-ácido qualquer,
 que a realidade é nua ,crua.
O ecrã grita notícias na TV
e ninguém quer ver o que se vê.
 Imagens rápidas, magnéticas, irreais,
 abertas ao assombro do porquê,
 agudas como metais.
  E o ódio, esse pavor, 
  já  nada é demais, 
Digerimos a violência, sem critério,
dizendo: "não sei qual o remédio".
 Cegos, mudos e moucos.
Cá dentro moendo silenciosa,
bicho roendo ou cobra venenosa,
como se fosse deveras indolor 
a dor devora-nos aos poucos,
                                

                                           Isa Sousa



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