Sei que os olhos são para ver, mas porque não fechá-los e apenas sentir. Sentirias esse anoitecer que é único em Lisboa. Por isso, semicerra-os e deixa-te ficar concentrada nessa cidade interior onde divagas. Se escutares com atenção, mal a brisa do Tejo temporariamente cessar, anunciando a noite, ouvirás o piar dos pardais nas árvores da avenida, o chilrear das crianças trazidas pelas mães, os passos arrastados dos mendigos que se abrigam na tristeza da escuridão que se aproxima,o ruído do trânsito marcando o regresso a casa O tac-tac dos tacões das elegantes de Lisboa, salientar-se-ão na calçada portuguesa lembrando castanholas e a lamúria de um pedinte, "uma moedinha, uma moedinha!", cansará pela repetição. Palavras sussurradas, gritadas, doces, irritadas, emocionadas ,geladas, risonhas, tristes, proferidas em várias línguas, voarão ...