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A mostrar mensagens de 2017

Com o tempo-Mario Quintana

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Quantos sonhos já deixámos de realizar, por não gostarmos de nós? Quantas tarefas  deixámos de cumprir, por medo de não sermos capazes ? Quantas vezes não nos perdoámos, quando errámos?  Quantas vezes nada fizemos, à espera de alguém para sermos felizes ? Quantas vezes não nos aceitámos, tal como somos? Gostarmos de nós próprios  é estarmos em melhores condições para amar os outros e sermos amados. Seremos ,assim,   mais c apazes ,mais belos, mais tolerantes, melhores pessoas .                                                                                                                               Isa Sousa...

Ano Novo-Carlos Drummond de Andrade

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"Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro,  tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,  mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o  Ano Novo cochila e espera desde sempre."                                                                                                                                                                                         Carlos Drummond de Andrade           ...

Cora Coralina

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Enfeite a árvore de sua vida com grinaldas de gratidão! Coloque no coração laços de cetim rosa, amarelo, azul, carmim, Decore seu olhar com luzes brilhantes estendendo as cores em seu semblante Em sua lista de presentes em cada caixinha embrulhe um pedacinho de amor, carinho, ternura, reconciliação, perdão! Tem presente de montão no estoque do nosso coração e não custa um tostão! A hora é agora! Enfeite seu interior! Seja diferente! Seja reluzente!                                                                                         Cora Coralina

Quando Um Homem Quiser-Paulo de Carvalho

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Poema de Ary dos Santos Tu que dormes à noite na calçada do relento  numa cama de chuva com lençóis feitos de vento  tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento  és meu irmão, amigo, és meu irmão  E tu que dormes só o pesadelo do ciúme  numa cama de raiva com lençóis feitos de lume  e sofres o Natal da solidão sem um queixume  és meu irmão, amigo, és meu irmão  Natal é em Dezembro  mas em Maio pode ser  Natal é em Setembro  é quando um homem quiser  Natal é quando nasce  uma vida a amanhecer  Natal é sempre o fruto  que há no ventre da mulher  Tu que inventas ternura e brinquedos para dar  tu que inventas bonecas e comboios de luar  e mentes ao teu filho por não os poderes comprar  és meu irmão, amigo, és meu irmão  E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei  fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei  pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei  és meu ir...

Natal

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Natal, Natal já chegaste,  todos os anos cá vens  dizer aos homens ingratos:  apesar dos negros actos,  amar é o maior dos bens.  Por isso  eu te festejo,  ano a ano, mais saudosa  e nessa noite ditosa  na minha mesa festiva,  desejo aqueles que amo,  presentes ou não na vida .                                                 I.F.

Virgínia Vitorino

     Repare, que passa a maior parte do seu dia em "piloto automático". Isto, porque as suas acções se automatizam e muitas delas se tornaram inconscientes: só tomamos consciência de uma pequena percentagem do funcionamento do nosso cérebro.       Este despertar do eu consciente dá-se perante  as surpresas que o mundo nos reserva ou quando a nossa mente entra em conflito interior e tem  necessidade de escolher por um de vários caminhos. O poema inigualável de Virgínia  Vitorino    que memorizei há muitos anos, mostra este despertar da mente consciente e do conflito entre a razão e os nossos  medos e desejos . Quanto  surge na vida a hesitação  não há, não pode haver ninguém que a vença.  E numa voz reveladora, intensa,  não vás, não vás, dizia-me  a razão.  Ir para quê ,não indo que vantagem?  Foi medo, foi loucura, foi coragem,  foi um milhão de coisas que eu se...

Teolinda Gersão-"Prantos,amores e outros desvarios"

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Sobre o autor Teolinda Gersão  ( Coimbra ,  Cernache ,  30 de janeiro  de  1940 )    é uma escritora e professora universitária portuguesa.  Estudou nas universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi leitora de português na Universidade Técnica de Berlim e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada. A partir de 1995 passou a dedicar-se exclusivamente à escrita literária. Viveu três anos na Alemanha, dois anos em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique, onde se passa o romance A árvore das palavras (1997). Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004. É autora de vários livros de ficção, traduzidos em 11 línguas. Foram-lhe atribuídos diversos prémios pelas suas obras.Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia.                          ...

Rosalía de Castro

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Rosalía de Castro ( Santiago de Compostela , 24 de fevereiro de 1837 — Padrón , 15 de julho de 1885 ) foi uma escritora e poetisa galega . Escreveu tanto em prosa como em verso , empregando o galego e o castelhano . Sua obra esteve profundamente marcada pelas circunstâncias que rodearam a sua vida: Os "Cantares gallegos", inspirados em antigas canções regionais, apresentam, sob o ritmo de dança, todas as angústias da alma popular. Rosalía é uma "autêntica contemporânea da poesia do desespero, acrescentando ao desespero a compaixão pela miséria de seu povo. Seus versos brancos e ritmos irregulares representaram uma revolução do estilo poético espanhol, antecipando o Modernismo. DIZEM QUE AS PLANTAS NÃO FALAM... Dizem que as plantas não falam, nem as fontes, nem os pássaros, Nem a ondas com seus rumores, nem com seu brilho os astros. Dizem; mas não é verdade, pois que sempre, quando eu passo, de mim murmuram e exclamam...

Adios rios adios fontes- Rosália de Castro

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Poema da grande poetisa galega Rosalía de Castro.O galego e o português apresentam grandes semelhanças,por isso a sua tradução quase  não se torna necessária. Galiza foi durante séculos a mais agreste região da Espanha e durante muito tempo as fomes eram cíclicas e devastadoras. Nos séculos XIX e parte do XX a única solução de sobrevivência era a emigração. Partiam os homens deixando as mulheres sós, as “viúvas de vivos”, como lhes chamou Rosalía de Castro. " Adeus, ríos; adeus, fontes Adeus, rios; adeus, fontes; adeus, regatos pequenos; adeus, vista dos meus olhos; não sei quando nos veremos. Minha terra, minha terra, terra onde me criei, hortinha que quero tanto, figueirinhas que plantei. Prados, rios, arvoredos, pinheiros, que move o vento, passarinhos piadores, casinhas do meu contento. Moinho dos castanhais, noites claras do luar, sininhos timbradores da igrejinha do lugar. Amorazinhas das silveiras que dava ao meu am...

Saúl Dias

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                                                                      "É de manhã. As ruas do bairro estão tranquilas à medida que o sol sobe no horizonte. Nos quartos de toda a cidade, um por um, está a dar-se um acontecimento espantoso: a consciência humana desperta para vida. O objecto mais complexo no nosso planeta está a tomar consciência de que existe. Ainda há pouco tempo, também nós estávamos no sono profundo. Agora, as redes do nosso cérebro fervilham de actividade consciente." Retirado do Livro" O cérebro" de David Eagleman, Editora lua de papel   Saúl Dias, poeta e pintor modernista , descreve maravilhosamente a sua experiência única do despertar , na  poesia "Todos os dias".    "A menina e o poeta"   ...

Memórias

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Nas horas em que o sol se ia deitar E adormecia na linha do horizonte Soava ao longe um sino a repicar E um cheiro a seivas subia pelo monte. E a minha alma dispersa pelo ar Ia escutando feliz o doce hino Eu colhia pelos campos o luar Na minha mão pequena de menino. E como era feliz essa viagem Com meu avô atrás a acompanhar O sol ia dormindo na paisagem Com as estrelas aos poucos a acordar. Lá íamos os dois sempre subindo Até onde o céu já não tem fim. Os pirilampos voavam indo e vindo Como esta infância que ficou em mim. I.F.                    

Ironia

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Picasso Quanto tempo eu gastei à procura nem eu sei de um eterno amor-perfeito. Quanta ansiedade escondida quanta perda desmedida escondida no meu peito. Mas por cruel ironia fosse o fado que previa ou o quis o Criador. Meu coração traiçoeiro só suspira o dia inteiro pelo teu imperfeito amor.                                I.F.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Sophia de Mello Breyner Andresen  ,transformava o seu mundo interior numa música de palavras. Na poesia, sabia  transmitir-nos toda a riqueza do seu ser, único, tal como nos demonstra o poema "Mar Sonoro". Mar Sonoro Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho. Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim. O nosso cérebro gera a sua própria realidade, antes mesmo de receber as informações provenientes dos sentidos. A nossa realidade é, em última análise, construída numa estranha língua de sinais electroquímicos. Cada cérebro transporta a sua própria narrativa da realidade, com base no seu modelo interno construído a partir das experiências anteriores. Retirado do Livro" O cérebro" de David Eagleman, Editora lua de papel