Nunca
Não digas nunca, meu amor. Nunca é palavra que perdeu a alma! Nunca é palavra que não tem coração! Não a digas de forma remoída clamando reticências, asas abertas como milhafre. Não a digas separada por vírgulas, repetida até ao infinito. Não a digas abrupta, com ponto final, num grito sumindo no espaço escuro. Na vida o talvez matou o nunca num céu de alma tecendo tempestades. Nunca só existe na morte e nela tudo é silêncio. I.F.