Amor ao Tejo
(Para que esta beleza,
visível em alguns locais do percurso do rio Tejo, se conserve e não desapareça devido à estupidez e ganância
humana).
Tejo que passas de águas transbordantes
apressadas como cobras prateadas.
Sinto a tua
respiração sincronizada
no ritmo das marés .
E ao ver-te, lavo-me de mágoas,
vagueando pelas tuas
margens de sombras ondulantes
abraçando a terra.
E os sonhos, que não dormem mais,
vivem nos teus segredos que vêm de longe
apontando a imensidão
do mar.
E todo tu és vida borbulhante:
plantas mirando-se no teu espelho verde;
insectos zunindo nos
canaviais;
pássaros sobrevoando as tuas águas ;
carpas bebendo as algas e os lodos, nas manhãs serenas.
Matas-me a sede,ó
Tejo,e aos sequiosos da tua paz,
porque no mundo há
demasiados suspiros à espera de consolo.
E, debruçadas nas tuas águas que correm,
árvores e casas
dormem,
como se todos os relógios do mundo parassem
e as horas ficassem quase eternas.
I.F.
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