Algarve "A chegada"
Apesar do termo”algarve” significar em árabe “ocidente”, para mim, “algarve” significava sempre rumar ao sul. Como ave migratória,
todos os Verões ,quando o calor do Estio crepitava nas suas terras rubras e o
cheiro a tojo, a estevas e a rosmaninho
se espalhava pela serra, eu regressava a esse lugar tão único. E, nesse Barrocal estendido entre o monte e o oceano, sentia uma primeira sensação
contraditória, mista de clausura e
imensidão.
O aparente silêncio
dessa terra e a impressão de paragem no tempo ,como se tudo ali se tivesse aquietado,
paralisava-me,a mim, nascida e criada na urbe,no ruído, na correria, nas
compras, enfim, nos chamados benefícios
da civilização.
Depois, estendia os olhos para aquela paisagem de uma
tranquilidade quase feliz e respirava fundo, bebendo aquele ar tão puro e
transparente, que me quebrava durante os primeiros dias e depois me redobrava
as forças para o resto do ano.
Ao longe, a serra
ondulava como um mar bravio . Cá em baixo, os relevos eram suaves e pareciam
ondas que finalmente tinham encontrado a praia. Salpicando a paisagem ,
pequenos povoados brancos acenavam como lenços para mim, anunciando as boas-vindas.
Era assim que me recordo da minha chegada ao local que
os meus filhos apelidavam de “o algarve”: para eles apenas aquele lugar
contava no vasto território algarvio.

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