Arrábida

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    Deus pôs-te, ó Serra, entre o anil dos céus e o azul do mar imenso.
   
    Em ti, meus olhos navegam em direcção ao sul
     e o aderno e o carrasco semeiam sonhos mediterrânicos, na vastidão dos tempos.
     
     Em ti, habitam escuridões da rocha onde os morcegos se acolhem
     e as escarpas lutam contra a gravidade, furando o mar.
        
      Há homens que oram, desde sempre, no rumor dos teus ventos
       e no silêncio das tuas  tardes amenas com sede de  infinito.
     
       Em ti, abrem-se feridas por curar e lágrimas de pedra e poeira,
      libertadas pelo teu corpo denso.
    
      Como aceitar tal vilania, ó Serra?
      Tu, que és abraço de Deus entre o azul do mar e a imensidão da alma.

                                                                                                                             I.F.

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