Rumores


                Rumores














Painting by Samiran Sarkar


  Leve, leve, nos vidros da janela
 batem dedos tão brandos como asas,
 rumores perdidos,
 passos dispersos dum caminho antigo.
 O som é leve e quase hesita,
 passa de manso,
 esvoaça e quase nada fica.
 Espreito surpreendida.
 Não há ninguém lá fora,
 só o rumor que vem dos matagais.
 Como demora!
 Será queixume de alguém que já passou?
 Presságios ou sinais?
Será a voz do vento que já me  chamou?
Ou o coração das coisas pulsando nos pinhais?

                                                              Isa Sousa

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