Lisboa ao anoitecer
Sei que os olhos são para ver, mas porque não
fechá-los e apenas sentir. Sentirias esse anoitecer que é único em Lisboa.
Por isso, semicerra-os e deixa-te
ficar concentrada nessa cidade interior onde divagas.
Se escutares com atenção, mal a brisa do Tejo
temporariamente cessar, anunciando a noite, ouvirás o piar dos pardais nas
árvores da avenida, o chilrear das crianças trazidas pelas mães, os passos
arrastados dos mendigos que se abrigam na tristeza da escuridão que se
aproxima,o ruído do trânsito marcando o regresso a casa O tac-tac dos tacões
das elegantes de Lisboa, salientar-se-ão na calçada portuguesa lembrando
castanholas e a lamúria de um pedinte, "uma
moedinha, uma moedinha!", cansará pela repetição.
Palavras sussurradas, gritadas,
doces, irritadas, emocionadas ,geladas, risonhas, tristes, proferidas em várias
línguas, voarão como borboletas
entontecidas pela ruas de Lisboa. Lá longe, escutarás o gemido de um fado da Amália . Ali, um cão ladrará. Uma
mosca besourará pegajosa junto aos teus ouvidos .
É assim a minha
Lisboa! Sobre ela, a cúpula escurecida da noite descerá. Isa Sousa

Como eu compreendo este sentimento que nos une à cidade que é a nossa, seja Lisboa, seja o Porto, seja outra qualquer que sentimos como nossa...Podemos ser cidadãos do mundo, mas sempre se sente um local como matriz... Gostei muito do seu texto, eu que do Porto me sinto :)
ResponderEliminarMuito obrigada pelas suas palavras amigas,Manuela.
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