Noite fria
A noite suspirava no silêncio
da cidade adormecida.
Num canto, o
pobre cão se aninhou partilhando, o mesmo espaço com um mendigo.
Duas almas, solitárias, encontravam-se nas ruas, quase desertas. Mundos diferentes, mas afinal tão iguais,
juntavam-nos no mesmo abandono, na mesmo faminta necessidade de afecto. Os olhares encontraram-se e compreenderam-se. O velho andrajoso fez-lhe um
afago.
Frias, como o frio da noite, suas almas aqueceram nesse gesto.
I.F.

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