Teolinda Gersão-"A árvore das palavras"







Sobre o autor
Teolinda Gersão (CoimbraCernache30 de janeiro de 1940)  é uma escritora e professora universitária portuguesa. Estudou nas universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi leitora de português na Universidade Técnica de Berlim e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada. A partir de 1995 passou a dedicar-se exclusivamente à escrita literária. Viveu três anos na Alemanha, dois anos em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique, onde se passa o romance A árvore das palavras (1997). Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004. É autora de vários livros de ficção, traduzidos em 11 línguas. Foram-lhe atribuídos diversos prémios pelas suas obras.Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia.


                                                                           In” WooK” e “Wikipédia, a enciclopédia livre”

Citação preferida/Sinopse


"Todas as coisas, no quintal, dançavam, as folhas, a terra, as manchas de sol, os ramos, as árvores, as sombras. Dançavam e não tinham limite, nada tinha limite, nem mesmo o corpo, que crescia em todas as direcções e era grande como o mundo. O corpo era a árvore e o corpo era o vento. Tocava-se no céu levantando apenas um pouco a cabeça, balançava-se no vento dançando, nessa altura a vida era dançada, só de pôr um pé diante do outro o corpo se acendia em festa: tudo estava nele e era ele, os gritos altos dos pássaros, o bafo quente do Verão africano, a grande noite povoada de estrelas. Mas o infinito não tinha sobressalto, nem sequer surpresa, era uma ideia simples, apenas a certeza de que se podia crescer até o céu."

"Isso, entre outras coisas, eu aprendi com África: a pequenez do ser humano, diante da vastidão do que não é humano. Não somos nada, poeira no vento, silhuetas minúsculas, na imensidão da paisagem.
Basta-nos no fundo muito pouco, porque somos também pouco: matar a fome a sede e o desejo de sexo, a esteira para dormir e o coração em paz."

Apreciação pessoal
Um livro que recomendo vivamente, no qual a beleza da escrita se junta à poesia e à memória. Narra uma história pessoal vivida em Lourenço Marques, no período colonial e nele se cruzam várias vidas e diferentes formas de viver. É um livro que homenageia Moçambique, as suas gentes, a sua cultura e também todos os portugueses que para lá partiram para melhorar a sua vida  e aí tiveram os seus filhos. Igualmente nele se recorda um  Portugal voltado para si próprio, atrasado, discriminatório, dominado por uma ditadura, carente de uma reflexão profunda sobre a sua verdadeira identidade, destino e papel no mundo. O seu título "A  árvore das palavras" remete-nos para o conceito de árvore. Tendo por base uma raiz comum -a língua portuguesa- Portugal e Moçambique divergem em ramos que deverão  levar, usando as palavras,  a uma  verdadeira pluralidade  e convivência entre  os seus povos.

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Data da leitura
Setembro de 2018

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