Dia que passa
Dia que nasce ,dia de Abril, dia que passa, dia em que observo
a rua que se estende até desaparecer na fina poeira da neblina. Nele tudo se
agita como uma grande serpente multicolor: gente apressada, automóveis, animais
,portas que se abrem e que se fecham.
Os extremos da rua
comidos pela neblina lembram as cortinas de um palco, em que as personagens
aparecem e desaparecem impelidas por motivos
que nos são desconhecidos.
A minha vida é ,também.
uma estranha rua que percorro e mesmo cansada das longas estradas, vou galgando os caminhos pedregosos
que se estendem entre o passado e o futuro.
Em mim, sempre , um
paradoxo. Esse louco paradoxo que norteia a minha vida. Sou a desequilibrada malabarista :caminho entre dois opostos que me chamam.
No abrigo da casa
procuro a segurança mas nos seus quartos sufoco . É no vento que me arrasta na
vertigem dos precipícios, no jogo da sorte ,que encontro a verdadeira liberdade.
Nesta travessia, estou
só. A solidão nasceu comigo: faz parte da
minha condição de ser humano . No entanto, apenas me realizo com os outros, na
sua partilha e no seu afecto.
Quero espalhar meus loucos cânticos de amor à vida. Esperar novas primaveras
onde as tempestades fazem ninho. Para
que pensar? Só se vive plenamente quando dançamos nus e corajosos na fogueira
das nossas alegrias e na tragédia das nossas tristezas.
I.F.

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