Gonçalves Dias
SÉRGIO BRITTO | CANÇÃO DO EXÍLIO (PURABOSSANOVA)
O poema de Gonçalves
Dias, Canção do exílio foi escrito
durante o Romantismo (1836-1881), é um dos mais representativos da primeira
geração do romantismo brasileiro, período marcado pela temática nacionalista,
indianista (figura indígena) e religiosa. A preocupação central dos
autores era a definição da identidade nacional brasileira tempos após a
Independência do Brasil (1822) Suas paixões são reveladas muitas vezes em um
tom ingénuo e melancólico,
Minha
terra tem palmeiras,
Onde
canta o Sabiá;
As
aves, que aqui gorjeiam,
Não
gorjeiam como lá.
Nosso
céu tem mais estrelas,
Nossas
várzeas têm mais flores,
Nossos
bosques têm mais vida,
Nossa
vida mais amores.
Em
cismar, sozinho, à noite,
Mais
prazer encontro eu lá;
Minha
terra tem palmeiras,
Onde
canta o Sabiá.
Minha
terra tem primores,
Que
tais não encontro eu cá;
Em
cismar — sozinho, à noite —
Mais
prazer encontro eu lá;
Minha
terra tem palmeiras,
Onde
canta o Sabiá.
Não
permita Deus que eu morra,
Sem
que eu volte para lá;
Sem
que desfrute os primores
Que não
encontro por cá;
Sem qu’inda
aviste as palmeiras,
Onde canta o
Sabiá.
Gonçalves Dias ( (1823-1864)
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