Lírica galego-portuguesa "Ai flores,ai flores" - D.Dinis
A poesia trovadoresca floresce em Portugal e na
Galiza, em Castela, Leão e Aragão, desde finais do século XII até meados do
século XIV. O idioma usado por excelência é o galego-português (dialeto falado
na Galiza, a norte de Portugal) Os trovadores mais famosos
foram o rei Afonso X de Castela e o rei D. Dinis de Portugal.
Nas cantigas de amigo, o
trovador expressa, pela boca de uma donzela,
a menina, os sentimentos que supõe
que esta sente em relação ao amado
– a coita (desgosto) de amor.
Nesta cantiga de amor, a jovem (a amiga ) interpela as flores se sabem
notícias do amado Face às perguntas que lhe são colocadas, em tom
exaltado, pela
rapariga, a Natureza tranquiliza-a relativamente às intenções
do amigo que
a menina acredita ter-lhe mentido, faltando à promessa que
lhe fez. Nas últimas estrofes as flores respondem que o amado virá e
cumprirá o
prometido
Ai flores do verde pino
- Ai flores, ai flores do verde pino,
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se sabedes novas do meu amigo?
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Ai Deus, e u é?
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Ai flores, ai flores do verde ramo,
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se sabedes novas do meu amado?
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Ai Deus, e u é?
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Se sabedes novas do meu amigo,
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aquel que mentiu do que pôs conmigo?
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Ai Deus, e u é?
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Se sabedes novas do meu amado,
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aquel que mentiu do que mi há jurado?
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Ai Deus, e u é?
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- Vós me preguntades polo voss'amigo
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e eu bem vos digo que é san'e vivo.
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Ai Deus, e u é?
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- Vós me preguntades polo voss'amado
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e eu bem vos digo que é viv'e sano.
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Ai Deus, e u é?
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- E eu bem vos digo que é san'e vivo
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e será vosco ant'o prazo saído.
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Ai Deus, e u é?
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- E eu bem vos digo que é viv'e sano
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e será vosc[o] ant'o prazo passado.
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Ai Deus, e u é?
D.Dinis
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