Virgínia Vitorino

     Repare, que passa a maior parte do seu dia em "piloto automático". Isto, porque as suas acções se automatizam e muitas delas se tornaram inconscientes: só tomamos consciência de uma pequena percentagem do funcionamento do nosso cérebro.
      Este despertar do eu consciente dá-se perante as surpresas que o mundo nos reserva ou quando a nossa mente entra em conflito interior e tem  necessidade de escolher por um de vários caminhos.

O poema inigualável de Virgínia  Vitorino    que memorizei há muitos anos, mostra este despertar da mente consciente e do conflito entre a razão e os nossos  medos e desejos.


Quanto  surge na vida a hesitação
 não há, não pode haver ninguém que a vença.
 E numa voz reveladora, intensa,
 não vás, não vás, dizia-me  a razão.
 Ir para quê ,não indo que vantagem?
 Foi medo, foi loucura, foi coragem,
 foi um milhão de coisas que eu senti.
 Não fui.
 Mas, quando vi que já não ia
 e que nada entretanto me impedia,
 o que eu chorei, meu Deus, o  que eu chorei.

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