Adios rios adios fontes- Rosália de Castro
Poema da grande poetisa galega Rosalía de Castro.O galego e o português apresentam grandes semelhanças,por isso a sua tradução quase não se torna necessária.
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Adeus, ríos; adeus, fontes
Adeus, rios; adeus, fontes;
adeus, regatos pequenos;
adeus, vista dos meus olhos;
não sei quando nos veremos.
adeus, regatos pequenos;
adeus, vista dos meus olhos;
não sei quando nos veremos.
Minha terra, minha terra,
terra onde me criei,
hortinha que quero tanto,
figueirinhas que plantei.
terra onde me criei,
hortinha que quero tanto,
figueirinhas que plantei.
Prados, rios, arvoredos,
pinheiros, que move o vento,
passarinhos piadores,
casinhas do meu contento.
pinheiros, que move o vento,
passarinhos piadores,
casinhas do meu contento.
Moinho dos castanhais,
noites claras do luar,
sininhos timbradores
da igrejinha do lugar.
noites claras do luar,
sininhos timbradores
da igrejinha do lugar.
Amorazinhas das silveiras
que dava ao meu amor,
caminhozinhos perante o milho,
adeus, para sempre adeus!
que dava ao meu amor,
caminhozinhos perante o milho,
adeus, para sempre adeus!
Adeus glória, adeus alegria!
Deixo a casa onde nasci
deixo a aldeia que conheço
por um mundo que não vi!
Deixo a casa onde nasci
deixo a aldeia que conheço
por um mundo que não vi!
Deixo amigos por estranhos,
deixo a veiga pelo mar;
deixo, enfim, quanto bem quero…
quem me dera não deixar!
deixo a veiga pelo mar;
deixo, enfim, quanto bem quero…
quem me dera não deixar!
[…]
Adeus, adeus, que me vou,
ervinhas do campo santo,
onde o meu pai se enterrou,
ervinhas que beijei tanto,
terrinha que nos criou.
ervinhas do campo santo,
onde o meu pai se enterrou,
ervinhas que beijei tanto,
terrinha que nos criou.
[…]
Já se ouvem longe, muito longe,
os sinos do pomar;
para mim, ai, coitadinho
nunca mais hão-de tocar.
os sinos do pomar;
para mim, ai, coitadinho
nunca mais hão-de tocar.
[…]
Adeus, também, queridinha…
Adeus para sempre, quiçá!…
Digo-te este adeus chorando
desde a beirinha do mar.
Adeus para sempre, quiçá!…
Digo-te este adeus chorando
desde a beirinha do mar.
Não me esqueças, queridinha,
se morro de saudades…
tantas léguas mar adentro…
Minha casinha, meu lar!
se morro de saudades…
tantas léguas mar adentro…
Minha casinha, meu lar!
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