Adios rios adios fontes- Rosália de Castro



Poema da grande poetisa galega Rosalía de Castro.O galego e o português apresentam grandes semelhanças,por isso a sua tradução quase  não se torna necessária.

Galiza foi durante séculos a mais agreste região da Espanha e durante muito tempo as fomes eram cíclicas e devastadoras. Nos séculos XIX e parte do XX a única solução de sobrevivência era a emigração. Partiam os homens deixando as mulheres sós, as “viúvas de vivos”, como lhes chamou Rosalía de Castro. "



Adeus, ríos; adeus, fontes

Adeus, rios; adeus, fontes;
adeus, regatos pequenos;
adeus, vista dos meus olhos;
não sei quando nos veremos.

Minha terra, minha terra,
terra onde me criei,
hortinha que quero tanto,
figueirinhas que plantei.

Prados, rios, arvoredos,
pinheiros, que move o vento,
passarinhos piadores,
casinhas do meu contento.

Moinho dos castanhais,
noites claras do luar,
sininhos timbradores
da igrejinha do lugar.

Amorazinhas das silveiras
que dava ao meu amor,
caminhozinhos perante o milho,
adeus, para sempre adeus!

Adeus glória, adeus alegria!
Deixo a casa onde nasci
deixo a aldeia que conheço
por um mundo que não vi!

Deixo amigos por estranhos,
deixo a veiga pelo mar;
deixo, enfim, quanto bem quero…
quem me dera não deixar!
[…]
Adeus, adeus, que me vou,
ervinhas do campo santo,
onde o meu pai se enterrou,
ervinhas que beijei tanto,
terrinha que nos criou.
[…]
Já se ouvem longe, muito longe,
os sinos do pomar;
para mim, ai, coitadinho
nunca mais hão-de  tocar.
[…]
Adeus, também, queridinha…
Adeus para sempre, quiçá!…
Digo-te este adeus chorando
desde a beirinha do mar.


Não me esqueças, queridinha,
se morro de saudades…
tantas léguas mar adentro…
Minha casinha, meu lar!

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