Saúl Dias
"É de manhã. As ruas do bairro estão tranquilas à medida que o sol sobe no
horizonte. Nos quartos de toda a cidade, um por um, está a dar-se um
acontecimento espantoso: a consciência humana desperta para vida. O objecto mais
complexo no nosso planeta está a tomar consciência de que existe. Ainda há
pouco tempo, também nós estávamos no sono profundo. Agora, as redes do nosso
cérebro fervilham de actividade consciente."
Retirado
do Livro" O cérebro" de David Eagleman, Editora lua de papel
Saúl Dias, poeta e pintor modernista, descreve maravilhosamente a sua
experiência única do despertar, na poesia "Todos os dias".
"A menina e o poeta"
Todos os dias
Todos os dias
nascem pequeninas nuvens,
róseas umas,
aniladas outras,
nacaradas espumas...
nascem pequeninas nuvens,
róseas umas,
aniladas outras,
nacaradas espumas...
Todos os dias
nascem rosas,
também róseas
ou cor de chá, de veludo...
Todos os dias
nascem violetas,
as eleitas
dos pobres corações...
Todos os dias
nascem risos, canções...
Todos os dias
os pássaros acordam
nos seus ninhos de lãs...
Todos os dias
nascem novos dias,
nascem novas manhãs...
nascem rosas,
também róseas
ou cor de chá, de veludo...
Todos os dias
nascem violetas,
as eleitas
dos pobres corações...
Todos os dias
nascem risos, canções...
Todos os dias
os pássaros acordam
nos seus ninhos de lãs...
Todos os dias
nascem novos dias,
nascem novas manhãs...
Saúl
Dias
Essência

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