Conversas com uma tília (3)


Amiga tília 

Hoje, um pássaro cantou de manhã, num ramo teu. Era  um melro preto, de bico amarelo. Desassossegado, saltava como um trapezista nos teus ramos. Gostei de ouvi-lo. A  sua melodia fez-me bem. Há uma eterna primavera em cada nota musical que o melro canta. Os dias arrastam-me e tudo se transforma, até tu, tília,  ainda há pouco saudavas -me com folhas e flores, agora ,mostras-me  o teu corpo adormecido e  nu. Também,tília, como tu,  tanto me visto da cor dos orvalhos e das manhãs, como perdida e nua , me perco pelos caminhos  do eu.
                                                                                                                               I.F.

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