Antero de Quental
Antero Tarquínio de Quental (Ponta Delgada, 18 de abril de 1842 — Ponta Delgada, 11
de setembro de 1891) foi um escritor e
poeta português do século XIX que
teve um papel importante no movimento da Geração de 70.
Durante a
sua vida, Antero dedicou-se à poesia, à filosofia e à política.
"Há
homens que sofrem e choram por gerações inteiras. Dir-se-ia que, a certas horas,
atlas do mundo moral, eles carregam
sobre os ombros todo o mal da vida. E, quando cantam, é na sua voz que os idealistas e os infortunado de
todos os tempos vão buscar os gemidos para as suas dores. Não contentes com
isso, alguns perscrutam, para vivê-las também ,as aspirações secretas da natureza. Irmãos
de São Francisco de Assis, chamam a si a fome dos lobos, a inquietação dos
ventos, a amarga ansiedade do mar, e o túmulo das estrelas, para tudo viver e
sofrer com a sua capacidade inesgotável de compreensão e amor. Antero foi um
desses raros homens, juntamente génio e santo, cuja consciência abraça e
expressa, como uma noite constelada, os sofrimentos do Universo."
Jaime Cortesão
Na Mão de Deus
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Antero de Quental, in "Sonetos"
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Antero de Quental, in "Sonetos"

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