Camilo Pessanha
Camilo de Almeida Pessanha nasce em Coimbra a 7 de Setembro de 1867 e morre em Macau a 1 de Março de 1926 devido ao uso excessivo de ópio. Tirou o curso de Direito em Coimbra e foi professor no Liceu de Macau, Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório,
Pessanha é considerado o melhor representante do Simbolismo português, além de antecipador do princípio modernista da fragmentação.Sua poesia é marcadamente pessimista, cheia de impressões sensoriais e abstratas, sendo notória sua rejeição pelo mundo material. Inadaptado à realidade, carrega na alma a dor de existir.
Na elaboração de seus poemas, rompe com as tradicionais estruturas, para apresentar uma linguagem musical, contrária aos rigorosos padrões da poesia parnasiana.
Fernando Pessoa, assim como, Mário de Sá-Carneiro eram grandes apreciadores da sua poesia.
Quem poluiu
Quem poluiu
Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer, - meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?
Onde esperei morrer, - meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?
Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear, - tábua tosca de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
- Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...
A mesa de eu cear, - tábua tosca de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
- Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...
Ó minha pobre mãe!... Não te ergas mais da cova.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.
Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais,
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.
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