No futuro
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Quando
vier o homem do futuro,
quando do tempo em que te encontrei
já
nada restar mais,
meus ossos contarão histórias
de
glórias vãs e de amargo sofrer
e meus
vestígios guardarão sinais
do que mais belo ficou do nosso querer.
Se a terra não se extinguir um dia,
quando
vier o homem do futuro
biónico, todo tecnologia,
quando
os mares, rios e terras do devir
já não forem iguais ,
talvez,
quem sabe, eu possa outra vez vir
clone de mim mesma entre os demais.
E
os robôs e sábios poderão
com meios assaz sofisticados,
numa proveta recolher, talvez,
meu único ADN ainda preservado,
meu
corpo transformado então retornará
com teu rosto
ainda em mim gravado.
Se
o verdadeiro amor sempre persiste
e dura para além da própria morte,
talvez,
quem sabe, num sistema solar
perdido
por cosmos, nesse espaço sem fim,
possa
jogar comigo a boa sorte
e eu volte novamente a te encontrar
mesmo
que não te lembres mais de mim.
Isa Sousa

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