Sátira do gato mal amado
Cabelo ralo, careca redonda,
de tez sombria ordena com a mão,
que o assanhado gato que ele odeia,
seja de pronto colocado ali no chão.
A bela esposa de cabelo bem armado,
que pelo gato tem adoração,
com voz cantante e semblante alheado
diz:- o gato? Não sei dele, não.
Tens a certeza ou troças do que eu digo?
Onde puseste o bicho? Eu trato dele.
Se não o pões aqui já, de seguida,
por aquela porta, ou saio eu ou ele.
Ela tremeu e pareceu vacilar
ao vê-lo assim com o rosto avermelhado.
Eis, de repente, num caso de pasmar,
sai-lhe o bichano, de trás do penteado.
I. F.
Baseado
no poema de Nicolau Tolentino “Sátira
aos Penteados Altos”

Divertido e inspirado como sempre. Bjs
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