Conversas com uma tília (4)
Amiga tília
Sinto-te, dia a dia, quando te digo- olá!- na
porta da minha casa. Não sei se também pressentes o que me vai na alma: nós,
humanos, em tudo vemos a nossa linguagem e no entanto, essa poderosa energia
que se liberta do teu ser vegetal, parece dizer que me conheces.
Esse teu subtil
poder será estranho, para quem te vê composta, apenas, de raiz,
tronco e folhas. Contudo ,nada sabemos do mundo subterrâneo das tuas raízes onde
uma longa sabedoria acumulada de pequenas lutas e longos acordos permanece
na extensa faixa de solo, aonde tu vives;
No interior do teu
tronco vertical, correm rios de água e de partículas,
vindas de muito longe ,que contam histórias do planeta e
até das estrelas e nas tuas folhas, microfábricas funcionam como pulmões
e bocas sedentas de luz e alimento.
Ó cegueira, de quem não sabe! Cegueira, de quem mergulhado nos seus
desejos e ambições pensa que tudo está à sua disposição! Ó vileza, de quem
julga tudo poder destruir!
O ser
humano perdido na sua imensa arrogância,
pensa-se superior a ti, ele que provoca buracos na camada de ozono,
que contribui para o aquecimento global e que gera na sua actividade enormes
ilhas de plásticos, no oceano.
Neste amanhecer
quase risonho, olho-te e penso quanto temos de aprender contigo.
Basta, humildemente, descer os degraus do pedestal onde nos colocamos numa
arrogância amoral cada vez mais acrescida.
I.F.
I.F.

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