Se fecharmos os olhos…

Uma publicação partilhada por IsaSousa (@isasousa51) a


        

         Quando os quentes raios da vida que nos iluminam e aquecem, por vezes, somos amortecidos por tempos de  infortúnio .Como a argila moldada pelo finíssimo esculpir do tempo vamos-nos transformando ao longo da nossa existência e  gravando na alma e no corpo os nossos bons e maus momentos.
Mas se fecharmos os olhos e resistirmos aos ruídos do  presente  poderemos lentamente calar as vozes e deixar que nos envolvam novamente os odores da infância, como num sonho. E esse tempo, no qual fomos incrivelmente felizes voltará e acenderá outra vez as luzes dos caminhos, das casas, das pessoas e dos seres do lugar onde crescemos. De novo reencontraremos, o olhar carinhoso da nossa mãe ou a casa dos avós que nos parecia iluminada nos dias de Natal ou uma velha madrinha que encobria as nossas travessuras ou o nosso animal de estimação como a gata turrinhas que criava ninhadas de gatinhos no sótão  escuro e baixo da casa da D. Odete
E, por baixo da poeira do tempo submersa no fundo de nós próprios, a criança que fomos renascerá e resistirá apesar de tudo, para além de tudo … e estender-nos–á os braços invisíveis para nos alcançar.


                                                                                                                I.F.


Comentários

  1. Isabel, adorei o seu texto. Eu acredito mesmo que na hora certa certa vêm as palavras certas, e com as origens mais inesperadas. Que a criança que eu fui outrora me estenda os seus invisíveis braços e me aperte bem forte...

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  2. Estimada Manuela, muito obrigada pelas suas palavras. Felizes os que reencontram a criança que foram nesses abraços que transcendem o tempo, pedaços de vida a que acedemos através da memória!

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