Se fecharmos os olhos…
Quando os quentes raios da vida que nos iluminam e aquecem, por vezes, somos amortecidos por tempos de infortúnio .Como a argila moldada pelo finíssimo esculpir do tempo vamos-nos transformando ao longo da nossa existência e gravando na alma e no corpo os nossos bons e maus momentos.
Mas se fecharmos
os olhos e resistirmos aos ruídos do presente poderemos lentamente calar as vozes e deixar
que nos envolvam novamente os odores da infância, como num sonho. E esse tempo,
no qual fomos incrivelmente felizes voltará e acenderá outra vez as luzes dos
caminhos, das casas, das pessoas e dos seres do lugar onde crescemos. De novo
reencontraremos, o olhar carinhoso da nossa mãe ou a casa dos avós que nos
parecia iluminada nos dias de Natal ou uma velha madrinha que encobria as
nossas travessuras ou o nosso animal de estimação como a gata turrinhas que
criava ninhadas de gatinhos no sótão escuro
e baixo da casa da D. Odete
E, por baixo
da poeira do tempo submersa no fundo de nós próprios, a criança que fomos
renascerá e resistirá apesar de tudo, para além de tudo … e estender-nos–á os
braços invisíveis para nos alcançar.
I.F.
I.F.
Isabel, adorei o seu texto. Eu acredito mesmo que na hora certa certa vêm as palavras certas, e com as origens mais inesperadas. Que a criança que eu fui outrora me estenda os seus invisíveis braços e me aperte bem forte...
ResponderEliminarEstimada Manuela, muito obrigada pelas suas palavras. Felizes os que reencontram a criança que foram nesses abraços que transcendem o tempo, pedaços de vida a que acedemos através da memória!
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